Como é que alguém se torna dependente?

Os motivos pelos quais alguém se torna dependente não são totalmente conhecidos e as teorias variam. Há quem diga que é uma questão natural (uma predisposição genética), outros afirmam que é o resultado de determinadas circunstâncias (uma resposta às circunstâncias sociais) ou ao conjunto de ambos. No entanto, ainda não existe uma resposta definitiva. A maioria dos argumentos, no entanto, reconhece que o cérebro tem um papel importante nos transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos.

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Segundo o DSM-5 Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, pela Associação Americana de Psiquiatria, qualquer droga que se consuma em excesso tem em comum a ativação direta do sistema de recompensa do cérebro que se encontra envolvido no reforço de comportamentos. 

A ativação do sistema de recompensa é de tal forma intensa que origina a negligência da realização de atividades normais que anteriormente seriam suficientes para proporcionar prazer, mas que agora já não produzem esse efeito. Nesse sentido, estar com a família, amigos, ver um filme, passear na praia ou,  simplesmente, cuidar de si mesmo já não é interessante, pois não tem a mesma carga de intensidade de libertação de dopamina que alimenta esse circuito.

Alguns indivíduos podem encontrar-se predispostos ao desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias, dando a entender que a origem dos transtornos pode ser observada nos seus comportamentos ainda antes do início do uso presente de substâncias. 

Os transtornos aditivos, nomeadamente o jogo, refletem evidências semelhantes às observadas nos transtornos relacionados a substâncias ao nível do sistema de recompensa, bem como a produção de sintomas comportamentais similares.  

Embora acreditemos que grupos de comportamentos repetitivos como "adição por exercício", "adição por compras", "adição sexual" funcionem da mesma forma que os transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos, não existem ainda evidências científicas para os classificar como transtornos mentais, à semelhança dos anteriores.